As décadas de estagnação de Santa Isabel

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Este site é o resultado de duas décadas de pesquisa e experimentos digitais apresentados aos quatro prefeitos mais recentes de Santa Isabel, SP: Hélio Buscarioli (de 1º de janeiro de 2005 a 31 de dezembro de 2012 – 2 mandatos), Padre Gabriel Gonzaga Bina (1º de janeiro de 2013 a 31 de dezembro de 2016), Fábia da Silva Porto (1º de janeiro de 2017 a 31 de dezembro de 2020) e Carlos Augusto Chinchilla Alfonzo (de 1º de janeiro de 2021 até os dias atuais, em segundo mandato) sem que os projetos tenham sido desenvolvidos.

Histórico

O desenvolvimento de Santa Isabel tem se limitado nas últimas décadas ao crescimento do comércio, especialmente pelo aumento do número de lojas de calçados, farmácias e óticas, com raras melhorias nas instalações de alguns pontos comerciais. Essa estagnação é atribuída às limitações impostas pelas leis de proteção de mananciais, destacando-se a Política Nacional de Recursos Hídricos (Lei nº 9.433/97), a Lei Estadual 1.172/76 e a Lei Estadual 9.866/97, abrangendo cerca de 83% de todo seu território. Resumidamente, e segundo a Secretaria de Turismo, Empreendedorismo e Desenvolvimento Econômico, sobram 15% de área (acidentada) para a instalação de novas empresas no território isabelense. Há, ainda de acordo com a mesma fonte, um leque de pelo menos 160 atividades que podem ser praticadas sem afetar o cenário protegido.

Não é compreensível, entretanto, o fato de a realidade ser muito diferente da teoria. A represa do Jaguari já teve sua época áurea quando o nível da água permitia construções de alto padrão, praticamente junto à margem do reservatório, como na cidade vizinha de Igaratá, com embarcações e veículos esportivos (jetskis). Hoje serve mais ao Sistema Catareira e ao Rio de Janeiro. Há quem atribua a situação atual ao contrato de concessão mal elaborado e assinado em agosto de 2005.

A represa, no passado a maior atração turística de nossa cidade, já não atrai mais os “turistas” e, apesar do desejo de boa parte da população que defende a classificação de Município (de Interesse) Turístico, a verdade é que não há o que possa ser considerado como uma atração turística. O que existe são improvisações e eventos sazonais – como a encenação da Paixão de Cristo – sem grande impacto positivo na economia local. O turismo é praticado às avessas com excursões para outras cidades.

Peças que caíram no tabuleiro político

Um dos erros mais comuns dos prefeitos é recorrente: nomear pessoas despreparadas para os cargos de confiança, especialmente para as funções que exigem conhecimento teórico e prático. Há poucas exceções, quase sempre as nomeações são feitas como agradecimento pela participação dos nomeados durante a campanha política. Outro erro é a escolha dos vices por conveniência política. Basta observarmos o que ocorreu nos últimos vinte anos.

    • HÉLIO BUSCARIOLI rompeu com seu vice, ADEMAR BARBOSA, logo no início de seu primeiro mandato; CLÓVIS VIEIRA PORTO foi seu vice no segundo mandato, e quase não apareceu;
    • O vice do PADRE GABRIEL BINA foi o pastor DAVID ALVES DE LUCENA, irmão do então deputado Roberto de Lucena que viria a se tornar Secretário Estadual de Turismo, ainda na gestão do Padre. As desavenças entre o prefeito e seu vice não surgiram por divergências religiosas;
    • FÁBIA PORTO teve o Dr. CARLOS CHINCHILLA como seu vice até o momento em que ele começou a questionar as ações da prefeita, o que serviu de manobra de campanha para que ele se elegesse na eleição seguinte;
    • CARLOS CHINCHILLA escolheu a vereadora TERESINHA PEDROSO como sua vice, prometendo que jamais se desentenderiam. O tempo, porém, mostrou que não eram exceções e o rompimento veio durante a campanha para a reeleição, com revelações graves por parte da vice. Para o segundo mandato, o médico escolheu FELIPE TEIXEIRA, o Felipão. Até o momento parece que não há motivos para desavenças, mas, quem sabe?

O problema não para aí. A dança das cadeiras no secretariado é, as vezes, mais grave, com nomeações usadas como moeda de troca para alcançar interesses pessoais. Basta rever a História das últimas duas décadas. O resultado é a estagnação do Município e as trágicas consequências para os ex-vices. Do quadro acima, somente o Dr. Carlos Chinchilla estendeu sua jornada política, mas tem sido bastante criticado em sua segunda gestão.

Diante do cenário aparentemente imutável – graças aos vícios políticos –, é chegada a hora de tomarmos o controle e de lutarmos por um futuro melhor para as crianças e jovens que daqui a alguns anos entrarão no mercado de trabalho. É hora do pau – no melhor sentido das palavras.

Se os políticos eleitos não são capazes de fazer alguma coisa que realmente valha a pena para a cidade e seus munícipes, nós, unidos, precisamos fazer alguma coisa. Precisamos cobrá-los, afinal, eles são bem remunerados pelo que fazem e nem sempre assumem a responsabilidade que adquiriam ao se colocarem como candidatos a representantes do povo.

Este canal é o instrumento que faltava para motivá-los.

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