Repensando uma ideia antiga

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Em agosto de 2022 foi publicado no site “Na Toca da Coruja” o post intitulado “E se matássemos uma rua?“, abordando a possibilidade de transformar a Rua Alcino Acácio de Camargo em área de convivência. A justificativa da proposta foi a inexistência de um espaço de lazer e descanso, especialmente para idosos e crianças, a exemplo do que foi feito para outros bairros.

A ideia era a revitalização daquela via, criando-se vários ambientes adequados a diferentes tipos de frequentadores, especialmente famílias, e, ao mesmo tempo, afugentando os indesejados (venda e consumo de drogas, motel a céu aberto, risco de assalto).

Os ambientes, atividades e seus públicos

Se considerarmos apenas a área ocupada por aquela via (180 x 6 metros), já descontando as 4 vagas de estacionamento previstas (2 em cada extremidade), teríamos 1.020 m2 para distribuir: uma pista de caminhada entremeada por jardins, pista de malha/bocha, playground, equipamentos de fitness, mesas de jogos, bancos para descanso e cenários fotográficos que seriam frequentados por crianças, adolescentes, jovens, homens e mulheres adultos e idosos, além de animais de estimação de pequeno porte. O local teria regras de uso.

Os frequentadores – moradores das redondezas, visitantes e turistas – poderiam caminhar, descansar, ler, escrever, desenhar, pintar, se divertir, interagir, se socializar, e isso lhes proporcionaria atividades físicas e mentais, consequentemente melhorando sua qualidade de vida e sua saúde, beneficiando o Município, inclusive no que tange a economia, uma vez que ali poderiam trabalhar comerciantes ambulantes.

Lanificio
Galpão do Grupo Buscarioli
Galpão da RKG
Prédio inativo Grupo Buscarioli
Rua Alcino Acácio de Camargo
Área de futuro condomínio

Na imagem acima, foram marcados 4 pontos que merecem destaque, além da própria Rua Alcino Acácio de Camargo: o galpão da RKG, o Galpão e o prédio administrativo do Grupo Buscarioli e a área destinada à construção de um condomínio.

Nota: O Grupo Buscarioli adquiriu todos os lotes vizinhos ao seu galpão, atualmente usado como depósito.

Observando-se as adjacências, verificamos que não há nas proximidades uma área de convivência, e muito menos uma que ofereça o que a Rua Alcino Acácio de Camargo poderia oferecer.

Ficando ainda melhor

Se os proprietários do galpão usado pela RKG cedessem um metro do declive dos fundos, ao longo de quase todo o terreno – totalmente sem utilidade para eles –, a área totalizaria 1.240 m2. Ali, com a construção de uma mureta (aterro) com alambrado e a plantação de trepadeiras ou uma cerca viva, seria possível construir uma real atração para todos.

Atualmente, aquela rua é pouco utilizada para o trânsito de veículos e não favorece os pedestres, pois as calçadas são estreitas e mal conservadas e o calçamento do leito carroçável é feito de paralelepípedos.

No extremo próximo à Praça Major Ângelo Sanches Vera – chamada de ‘pixão’ pelos antigos – há uma lombada que encontra-se em péssimo estado (foto ao lado).

Há pouco tempo deram início às obras de infraestrutura do loteamento que se transformará num novo bairro, ao longo da atual Rua Vitória Régia, o que sugere a breve construção de casas por ali. O condomínio que ocupa o terreno ao lado do galpão do Grupo Buscarioli, com acesso pela Rua José Domenech terá o mesmo destino, ou seja, é fatal o crescimento do número de moradores dessa região.

O fechamento da Rua Alcino Acácio de Camargo obrigará os motoristas a usarem o trajeto alternativo pela Rua Leopoldo da Cunha Lima (linha amarela na foto), o que aumentará o percurso em 134 metros, aproximadamente, para circundar o galpão da RKG, com a vantagem de circularem por um trecho de asfalto (menos danos nos veículos).

Uma grande vantagem: a rua é plana.

Na época da publicação original (08/22), o levantamento feito pelo autor apontava um investimento de aproximadamente um milhão de reais para a aquisição de todos os materiais (blocos intertravados coloridos, postes altos e modernos, bancos de jardim, paisagismo, postes de eucalipto para a construção de playground e coberturas, equipamentos de fitness, blocos de concreto, telhas onduladas, areia, cimento, ferro, cal, argila expandida, cabos elétricos, lâmpadas, cacos de cerâmica, bancos de jardim (opção: madeira e ferro). Não foram orçadas a decoração suplementar (placas, grades, etc.) e a mão-de-obra.

Recomendações especiais

  1. A exemplo de alguns parques municipais, em outras cidades, o acesso à área de convivência – ou boulevard – Alcino Acácio de Camargo deveria ser cobrado (valor simbólico, R$ 2,00 por pessoa), a fim de custear pelo menos em parte sua manutenção;
  2. Seria ideal a construção de banheiros públicos nos moldes do projeto que foi elaborado para a Praça da Bandeira;
  3. Para conservar a infraestrutura do local, a presença constante de um vigia e um ajudante geral (limpeza) seria fundamental;
  4. A área de convivência seria aberta ao público em horários específicos. Por exemplo, diariamente, incluindo sábados, domingos e feriados, das 6h00 às 22h00.

Comparação

No dia 15 de novembro foi inaugurada a clínica veterinária Patinha Feliz. O empreendimento teve o investimento inicial de R$ 2.077.289,00 e terá um custo operacional de R$ 173.107,42 por mês, totalizando cerca de mais R$ 2.077.284,00 a cada ano, para funcionar de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, atendendo somente animais de estimação de famílias de baixa renda. “Esse é um espaço que nasce do amor e do compromisso da prefeitura com o bem-estar dos nossos animais e das famílias que mais precisam. É dignidade, cuidado e respeito com a vida.” – afirmou o prefeito Dr. Carlos Chinchilla.

Se a construção de um espaço de convivência ocupando a área da Rua Alcino Acácio de Camargo (via cujas placas de identificação apresentavam erro no nome do homenageado, e por isso foram retiradas, sem substituição) tivesse o custo de – digamos – 3 milhões de reais, poderia em pouco tempo produzir efeitos na economia do Município e recuperar tal investimento, tendo um custo de manutenção muito baixo. E o mais importante, com todo o amor que tenho pelos animais, estaríamos dando dignidade, cuidando e respeitando os seres humanos pagadores de impostos, desta e de outras cidades, quando nos visitassem.

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